A enxaqueca é muito mais do que uma dor de cabeça intensa. Para algumas pessoas, significa horas ou até dias de dor pulsante. Para outras, provoca náuseas, sensibilidade à luz ou aos sons, alterações na visão e cansaço extremo. As crises podem interferir no trabalho, no convívio familiar e nas atividades cotidianas, dificultando até mesmo a sensação de bem-estar.
Ela é uma das condições neurológicas mais comuns e afeta milhões de pessoas todos os anos. Embora ainda não exista cura, há diversas formas eficazes de controlar os sintomas e reduzir a frequência das crises.
A Dra. Hind Kettani, neurologista com certificação profissional que atua no AdventHealth Tampa, ajuda pacientes a compreender melhor os sintomas da enxaqueca e a encontrar tratamentos adequados às suas necessidades.
O que é enxaqueca?
A enxaqueca é uma condição neurológica caracterizada por episódios recorrentes de dor de cabeça moderada a intensa, acompanhados de outros sintomas. Embora muitas pessoas a associem apenas a uma dor de cabeça forte, suas manifestações podem ir muito além da dor.
A Dra. Kettani explica:
“Costumo dizer aos meus pacientes que a enxaqueca não é simplesmente uma dor de cabeça. É uma condição neurológica que pode afetar a maneira como você se sente, pensa e realiza suas atividades. A boa notícia é que hoje temos mais opções de tratamento do que nunca para ajudar os pacientes a encontrar alívio.”
As crises de enxaqueca podem durar várias horas ou se estender por alguns dias. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e também podem mudar ao longo do tempo.
Sintomas mais comuns da enxaqueca
Os sintomas da enxaqueca podem ser diferentes em cada pessoa. Entre os sinais mais frequentes, estão:
- Dificuldade de concentração;
- Tontura;
- Cansaço extremo;
- Náuseas ou vômitos;
- Dor de cabeça em apenas um lado;
- Sensibilidade a sons, luzes ou cheiros;
- Dor de cabeça latejante ou pulsante;
- Alterações na visão.
Muitas pessoas apresentam dor pulsante de intensidade moderada a forte em um dos lados da cabeça. Outras percebem sintomas antes mesmo de a dor começar.
Um exemplo é a chamada aura da enxaqueca, que pode provocar:
- Pontos cegos no campo visual;
- Luzes piscantes;
- Dificuldade para falar;
- Sensações de formigamento;
- Padrões visuais em zigue-zague.
Nem todas as pessoas apresentam aura. Também é possível ter enxaqueca sem passar por essa fase.
Entenda as fases de uma crise de enxaqueca
As crises de enxaqueca costumam ocorrer em diferentes fases, que podem incluir:
1. Pródromo
Essa fase inicial pode começar horas ou até dias antes da crise.
Os sintomas podem incluir alterações de humor, vontade intensa de comer determinados alimentos, bocejos frequentes, cansaço, retenção de líquidos ou aumento da frequência urinária.
2. Aura
Alguns pacientes apresentam sintomas visuais, sensoriais ou relacionados à linguagem pouco antes ou durante a crise de enxaqueca.
3. Dor de cabeça
Essa costuma ser a fase mais reconhecida da enxaqueca.
Geralmente, envolve o aumento da intensidade da dor, acompanhado de manifestações como náuseas, sensibilidade à luz e aos sons, cansaço ou visão embaçada.
4. Pósdromo
Depois que a crise termina, muitas pessoas ainda se sentem esgotadas, mentalmente confusas ou cansadas.
A recuperação pode levar de um a dois dias.
O que pode desencadear uma crise de enxaqueca?
Os fatores desencadeantes variam de pessoa para pessoa, mas algumas condições estão frequentemente associadas às crises.
Entre elas:
- Consumo de bebidas alcoólicas;
- Luzes intensas;
- Determinados medicamentos;
- Alterações hormonais;
- Sono inadequado;
- Pular refeições;
- Estresse;
- Odores fortes;
- Exposição ao tabaco;
- Mudanças climáticas.
Segundo a Dra. Kettani:
“Não quero que os pacientes sintam que precisam evitar tudo aquilo de que gostam. O objetivo é compreender seus próprios padrões. Às vezes, melhorar o sono, a hidratação e a regularidade das refeições pode fazer uma diferença significativa.”
Manter um diário simples das dores de cabeça também pode ajudar.
Registrar os dias em que as crises acontecem, os medicamentos utilizados, a qualidade do sono, os ciclos menstruais e os possíveis fatores desencadeantes facilita a identificação de padrões.
Quem tem maior probabilidade de desenvolver enxaqueca?
Qualquer pessoa pode desenvolver enxaqueca, incluindo crianças e idosos. Entretanto, alguns grupos apresentam maior risco.
O histórico familiar desempenha um papel importante. A enxaqueca costuma ocorrer entre membros da mesma família, o que sugere uma forte influência genética.
As mulheres também apresentam maior probabilidade de ter enxaqueca do que os homens. As oscilações hormonais relacionadas à menstruação, à gravidez e à menopausa podem contribuir para esse risco aumentado.
Pessoas que convivem com a enxaqueca também podem apresentar maior probabilidade de desenvolver distúrbios do sono, ansiedade ou depressão.
Como a enxaqueca pode afetar tanto o corpo quanto a mente, uma abordagem abrangente de cuidado costuma ser importante para o controle dos sintomas a longo prazo.
Quando procurar um médico por causa da enxaqueca?
Dores de cabeça ocasionais são comuns. Entretanto, episódios frequentes ou intensos não devem ser ignorados.
Converse com um médico se você:
- Apresenta sintomas novos ou incomuns;
- Tem dores de cabeça recorrentes;
- Percebe que os medicamentos vendidos sem receita já não proporcionam alívio;
- Deixa de trabalhar ou realizar atividades cotidianas por causa das crises;
- Nota que os sintomas estão se tornando mais intensos.
Um neurologista pode ajudar a identificar se a enxaqueca é a causa dos sintomas e desenvolver um plano de tratamento individualizado.
Quando a enxaqueca é uma emergência?
A maioria das crises de enxaqueca não exige atendimento de emergência. Entretanto, determinados sintomas podem indicar uma condição médica grave e exigir intervenção imediata.
Entre os sinais de alerta, estão:
- Dor de cabeça súbita e muito intensa, que atinge seu pico em poucos minutos;
- Uma nova dor de cabeça acompanhada de fraqueza em um dos lados do corpo;
- Dificuldade para falar;
- Febre alta acompanhada de rigidez na nuca;
- Perda súbita da visão;
- Sintomas muito diferentes daqueles apresentados nas crises habituais;
- Dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio.
Esses sintomas podem indicar condições médicas graves, como acidente vascular cerebral (AVC), aneurisma cerebral ou meningite.
Se você apresentar sinais de uma emergência médica, procure imediatamente um pronto-socorro ou acione o SAMU pelo número 192, no Brasil.
Quais são os tratamentos disponíveis para a enxaqueca?
O tratamento da enxaqueca costuma ter dois objetivos principais: aliviar os sintomas durante as crises e reduzir a frequência dos episódios futuros.
Os planos de tratamento podem incluir:
- Medicamentos para controlar náuseas;
- Aplicações de toxina botulínica (Botox) em pacientes específicos com enxaqueca crônica;
- Mudanças no estilo de vida;
- Analgésicos vendidos sem receita;
- Medicamentos específicos para enxaqueca, prescritos por um profissional;
- Identificação e controle dos fatores desencadeantes.
Alguns pacientes podem se beneficiar de terapias mais recentes, que atuam em vias específicas envolvidas na dor da enxaqueca.
Outros encontram alívio em tratamentos preventivos destinados a reduzir a frequência e a intensidade das crises.
A Dra. Kettani destaca:
“Hábitos saudáveis também podem desempenhar um papel importante. Manter-se hidratado, fazer refeições regulares, ter horários consistentes de sono e controlar o estresse são atitudes que podem ajudar a reduzir o risco de enxaqueca.”
E complementa:
“A experiência de cada paciente com a enxaqueca é diferente. O plano de tratamento mais eficaz é aquele adaptado às necessidades individuais e que considera tanto os sintomas quanto os fatores desencadeantes.”
Atendimento neurológico especializado no AdventHealth Tampa
Conviver com a enxaqueca pode ser frustrante e desgastante. Entretanto, muitas pessoas conseguem obter alívio significativo com um plano de cuidado adequado.
No AdventHealth Tampa, a equipe de neurologia adota uma abordagem abrangente para o tratamento da enxaqueca.
Desde o diagnóstico até o acompanhamento a longo prazo, os profissionais trabalham em conjunto com os pacientes para compreender os sintomas, identificar fatores desencadeantes e desenvolver estratégias de tratamento individualizadas.
A enxaqueca não precisa controlar sua vida. Estamos aqui para ajudar você a encontrar o alívio que merece e viver da melhor maneira possível.
Fonte: AdventHealth Blog
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