Obesidade infantil: entenda este grave problema

Veja como o Brasil saiu da faixa da desnutrição infantil e hoje se preocupa com a obesidade das crianças no país.

Marcela Borges

Enfermeira, mestre em Saúde Pública

5 artigos


7 de junho de 2019

A obesidade infantil cresceu em todo o mundo nos últimos anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o excesso de peso atinge cerca de um terço das crianças e adolescentes com idade entre 6 e 19 anos nos EUA.

De forma semelhante, no Brasil, um grande estudo sobre a saúde cardiovascular dos escolares (ERICA), mostrou que cerca de ¼ das crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso ideal.

O excesso de peso, sempre foi visto, apenas como um problema de aparência pessoal. Isso porque pode interferir na autoestima e aceitação do individuo no grupo.

Sabemos que crianças ditas “inocentes” conseguem muitas vezes ser cruéis! Elas magoam e ferem os colegas que estão acima do peso, usando apelidos pejorativos e praticando bullying.

Porém, mais do que isso, o excesso de peso pode ter um sério agravante, o surgimento de problemas de saúde. A obesidade aumenta de forma drástica os riscos de graves doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, depressão e ansiedade.

Muitas pessoas acham “fofinhas” crianças que estão acima do peso e que isso naturalmente irá passar… Porém, a infância é um período crítico para o desenvolvimento do excesso de peso!

Está comprovado que uma criança obesa tem maiores chances de ser um adolescente obeso e, consequentemente, um adulto obeso. E aí reside um grande problema!

Não se engane: a obesidade é uma doença e a prevenção ainda é o melhor remédio! Crianças e adolescentes dentro do peso ideal não só tem melhor qualidade de vida, como certamente menores chances de doenças agora e quando forem adultos.

Mas por que nossas crianças estão obesas?

No passado, o Brasil era conhecido pela desnutrição infantil (que ainda existe, porém em menor proporção claro!) mas hoje, nossas estatísticas se aproximam dos países mais obesos do mundo. E isso, é uma triste realidade!

Porque? Isso ocorre porque a dieta da criançada é rica em calorias vazias e alto teor de gorduras. Batatas fritas, comida de “pacote” (biscoitos e chips), bebidas açucaradas, carnes embutidas e muitos outros vilões da saúde estão presentes na rotina da molecada.

Embalagens coloridas e com imagens de desenhos animados também são um grande bombardeio e imensa influência, da indústria e da mídia, para o consumo em excesso desses alimentos.

Outro fator, é a falta de exemplo dos próprios pais! As crianças imitam os hábitos alimentares do seus pais. Filhos de pais obesos tem duas vezes mais chances de se tornarem obesos, por fatores genéticos, mas também por herdarem um estilo de vida inadequado.

Obesidade infantil: estilo de vida sedentário

O sedentarismo tomou conta das crianças e jovens. A atual vida urbana e crescente violência não facilitam que as crianças tenham atividades ao ar livre como antigamente.

Além disso, a diversão eletrônica substituiu cada vez mais as atividades física de lazer, como jogar bola, pique-pega…. O uso excessivo de telas eletrônicas oferecem um maior risco ao sobrepeso, já que é uma atividade que confere pouco gasto de energia.

O tempo que as crianças passam diante da tela nos últimos anos, aumentou para três horas ou mais por dia e ainda, está quase sempre, associado ao consumo de alimentos hipercalóricos e ao baixo consumo de frutas e vegetais.

Por outro lado, o uso de eletrônicos é também mais uma oportunidade para a exposição da publicidade de alimentos não saudáveis. Estudos mostram uma clara relação entre o tempo de tela excessivo com excesso de peso.

Para piorar este cenário, muitas escolas reduziram o tempo destinado à educação física, oportunidade que para alguns, talvez fosse a única para se exercitar.

A obesidade infantil está ligada à distúrbios psicológicos

A saber, crianças e adolescentes também sofrem de ansiedade provocado pelo stress do dia a dia. As preocupações em semanas de prova, tensão do vestibular ou problemas na convivência familiar geram ansiedade, provocando comilança.

Fique atento no seu filho! Por de trás de um obeso, sempre pode existir algum problema psicológico. E para agravar, geralmente a sociedade exclui os “gordinhos” do circulo de amizade ou das brincadeiras.

Portanto, quando isso acontece, as coisas só pioraram! O isolamento vem e alimentação vira uma fuga. Quanto mais rejeitados, mais ansiedade e mais comilança. Para ajudar procure um profissional da área!

Por fim, o excesso de peso também pode estar associado a depressão, distúrbios alimentares, de imagem corporal distorcida e baixa auto-estima.

Como podemos evitar que nossas crianças se tornem obesas?

Algumas atitudes podem fazer toda diferença! E tudo começa nas primeiras refeições do bebê fora do útero da mãe. A amamentação reduz cerca de 10% as chances do sobrepeso.

Além disso, elaborar um cardápio semanal atrativo e saudável, baseado no consumo de frutas, verduras, grãos integrais, leguminosas, leite, castanhas, óleos vegetais e sucos naturais.

Outra dica é evitar alimentos ultraprocessados como: biscoitos industrializados, temperos “instantâneos”, refrigerantes, nuggets, salsichas, etc.

Incentive a pratica de atividade física: Brincar ao ar livre, andar de bicicleta ou qualquer outra atividade que tire a criança do sedentarismo.

Outra sugestão é reduzir o tempo de uso dos aparelhos eletrônicos pelas crianças. Isso também é uma ótima atitude!

Último conselho…

Seja exemplo! Isso já será metade do caminho para evitar o obesidade infantil.

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