Osteoporose: como identificar e evitar fraturas

Saiba reconhecer os sinais de alerta e prevenir fraturas com exercícios, alimentação e acompanhamento médico.

Aline Castro

88 artigos


22 de outubro de 2026

É possível ter osteoporose durante anos sem sentir dor ou perceber qualquer mudança no corpo. Isso acontece porque a perda de resistência dos ossos costuma ser silenciosa. Em muitos casos, a doença só é descoberta depois de uma fratura.

O problema é que uma fratura causada pela osteoporose pode acontecer em situações comuns, como tropeçar, cair da própria altura ou realizar um movimento que normalmente não provocaria uma lesão.

Por isso, a prevenção da osteoporose não deve começar apenas quando surgem sintomas. Entender os fatores de risco, conhecer os exames disponíveis e manter hábitos que fortalecem os ossos são medidas importantes para preservar a mobilidade e a qualidade de vida.

O que é osteoporose?

A osteoporose é uma doença que reduz a resistência dos ossos, tornando-os mais frágeis e aumentando o risco de fraturas.

Embora pareçam estruturas rígidas e permanentes, os ossos são tecidos vivos. Ao longo da vida, eles passam por um processo contínuo de renovação chamado remodelação óssea.

Nesse processo, células especializadas removem partes do tecido ósseo antigo, enquanto outras produzem tecido novo.

Quando essa renovação está equilibrada, o organismo consegue preservar a estrutura óssea. Entretanto, com o envelhecimento e determinadas alterações hormonais, a perda de tecido pode superar sua formação.

Como consequência, os ossos tornam-se mais frágeis.

As regiões mais frequentemente afetadas por fraturas relacionadas à osteoporose são a coluna vertebral, o quadril e o punho.

Quais são os primeiros sintomas da osteoporose?

A osteoporose geralmente não apresenta sintomas antes da ocorrência de uma fratura.

Diferentemente de outras doenças, ela não costuma provocar dor durante a perda progressiva de massa óssea. Uma pessoa pode manter sua rotina normalmente sem saber que seus ossos estão enfraquecidos.

Por isso, a ausência de sintomas não elimina a possibilidade de osteoporose.

Quais sinais podem indicar fragilidade óssea?

Algumas alterações merecem atenção, principalmente quando surgem após os 50 anos ou em pessoas com fatores de risco.

1. Perda de altura

Perceber que está ficando mais baixo pode indicar alterações na coluna, inclusive fraturas vertebrais por compressão.

2. Postura mais curvada

Uma curvatura acentuada das costas pode estar relacionada a fraturas nas vértebras. Entretanto, alterações posturais também podem ter outras causas.

3. Dor repentina nas costas

A osteoporose em si geralmente não causa dor. No entanto, uma fratura vertebral pode provocar dor intensa, especialmente após um esforço ou movimento cotidiano.

4. Fraturas após quedas leves

Quebrar um osso depois de uma queda da própria altura pode indicar que ele apresenta menor resistência do que deveria.

Esses sinais não confirmam o diagnóstico, mas justificam uma avaliação médica.

Também é importante saber que algumas fraturas vertebrais não provocam dor e podem passar despercebidas.

Quem tem maior risco de desenvolver osteoporose?

A osteoporose é mais comum em pessoas idosas, mas também pode atingir adultos mais jovens.

O risco aumenta especialmente após a menopausa. Isso ocorre porque a redução do estrogênio acelera a perda óssea em muitas mulheres.

Entretanto, homens também podem desenvolver a doença.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Envelhecimento.
  • Menopausa, especialmente quando ocorre precocemente.
  • Histórico familiar de osteoporose ou fratura de quadril.
  • Baixo peso corporal.
  • Sedentarismo.
  • Ingestão insuficiente de cálcio e vitamina D.
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool.
  • Uso prolongado de medicamentos como corticoides.
  • Doenças que afetam o metabolismo ósseo ou a absorção de nutrientes.

Quanto maior a presença de fatores de risco, mais importante se torna a avaliação individualizada da saúde óssea.

Como identificar a osteoporose antes de uma fratura?

A principal maneira de identificar a redução da densidade mineral óssea é por meio da avaliação médica e, quando indicado, da densitometria óssea.

O exame utiliza uma quantidade baixa de radiação para medir a densidade dos ossos, geralmente na coluna lombar e no quadril.

É rápido, não invasivo e não exige internação.

Qual é a diferença entre osteopenia e osteoporose?

Esses termos representam classificações relacionadas à densidade mineral óssea, mas não significam exatamente a mesma coisa.

A osteopenia indica uma densidade óssea abaixo da faixa considerada normal para adultos jovens, sem atingir o limite densitométrico da osteoporose.

Já a osteoporose representa uma redução mais acentuada da densidade óssea ou pode ser diagnosticada em determinadas situações clínicas, como algumas fraturas por fragilidade.

Em mulheres após a menopausa e homens com 50 anos ou mais, os resultados da densitometria costumam ser classificados pelo T-score:

  • Normal: igual ou superior a -1,0.
  • Osteopenia: inferior a -1,0 e superior a -2,5.
  • Osteoporose: igual ou inferior a -2,5.

Essas classificações não devem ser interpretadas isoladamente. O risco de fratura também depende da idade, das condições clínicas e do histórico do paciente. Pessoas mais jovens exigem critérios específicos.

Quando fazer densitometria óssea?

Segundo orientações divulgadas pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a densitometria é recomendada para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70 anos.

O exame também pode ser indicado antes dessas idades quando existem fatores de risco, como fraturas por fragilidade, uso prolongado de corticoides ou determinadas doenças.

O profissional de saúde avalia a necessidade do exame e pode utilizar ferramentas específicas para estimar o risco de fraturas.

Como prevenir a osteoporose e fortalecer os ossos?

A prevenção começa com hábitos que favorecem a saúde óssea ao longo da vida.

Entre eles, a atividade física tem um papel importante, especialmente os exercícios que estimulam os ossos e fortalecem os músculos.

Esse princípio está relacionado ao módulo Activity, do CREATION, que destaca a importância do movimento regular para a saúde integral.

1. Pratique exercícios de força

A musculação não beneficia apenas os músculos. Ela também pode ajudar a preservar ou melhorar a densidade mineral óssea.

Isso acontece porque os ossos respondem às forças produzidas pelo movimento e pela contração muscular.

Durante um exercício de resistência, os músculos exercem tensão sobre os ossos. Esse estímulo participa dos processos de manutenção e adaptação do tecido ósseo.

Com a prática regular e adequada, o treinamento de força pode contribuir para a saúde óssea, especialmente quando envolve exercícios progressivos e bem orientados.

Além disso, músculos mais fortes ajudam a melhorar a estabilidade corporal e a capacidade de realizar atividades cotidianas.

Isso é importante porque prevenir fraturas também significa reduzir o risco de quedas.

2. Combine diferentes tipos de atividade física

Nem todos os exercícios oferecem os mesmos benefícios.

A International Osteoporosis Foundation destaca três grupos de atividades importantes para a saúde óssea:

Exercícios de resistência: musculação, treinamento com máquinas e faixas elásticas ajudam a fortalecer os músculos e estimulam o sistema musculoesquelético.

Atividades com sustentação do peso corporal: caminhada, dança e subida de escadas fazem o corpo trabalhar contra a gravidade.

Exercícios de equilíbrio: atividades voltadas à coordenação, postura e estabilidade ajudam a reduzir a probabilidade de quedas, especialmente entre idosos.

A combinação dessas atividades permite trabalhar diferentes fatores relacionados à prevenção de fraturas.

3. Consuma cálcio suficiente

O cálcio é um dos principais minerais que formam a estrutura dos ossos.

Uma ingestão adequada contribui para a manutenção da saúde óssea.

Entre as fontes alimentares estão leite, iogurte, queijos, bebidas vegetais fortificadas, tofu preparado com cálcio e alguns vegetais.

As necessidades variam conforme a idade e as condições individuais.

4. Mantenha níveis adequados de vitamina D

A vitamina D participa da absorção intestinal do cálcio e do metabolismo ósseo.

O organismo pode produzi-la por meio da exposição da pele à luz solar, embora a quantidade dependa de fatores como idade, características da pele e condições ambientais.

Algumas pessoas precisam de suplementação, mas essa decisão deve considerar a avaliação profissional.

Tomar vitamina D indiscriminadamente não garante ossos mais fortes e pode trazer riscos quando utilizada em excesso.

5. Garanta uma alimentação com proteínas

As proteínas são importantes para a manutenção dos músculos e também participam da estrutura e do metabolismo ósseo.

Uma alimentação com fontes adequadas de proteína ajuda a preservar a força e a capacidade funcional, especialmente durante o envelhecimento.

Ovos, leite e derivados, feijões, lentilhas, grão-de-bico e outras fontes proteicas podem fazer parte da rotina.

6. Evite fumar e reduza o risco de quedas

O tabagismo e o consumo excessivo de álcool prejudicam a saúde óssea e estão associados a maior risco de fraturas.

Também é importante observar fatores que favorecem quedas, especialmente em pessoas idosas.

Ambientes bem iluminados, calçados adequados, correção de problemas visuais e atenção a tapetes ou obstáculos podem tornar o cotidiano mais seguro.

Quem tem osteoporose pode fazer musculação?

Sim. O treinamento de força pode fazer parte dos cuidados de quem já recebeu o diagnóstico de osteoporose.

Entretanto, a escolha dos exercícios precisa considerar a resistência óssea, o histórico de fraturas e a capacidade física.

Pessoas com fraturas vertebrais ou osteoporose avançada podem precisar evitar movimentos que envolvam flexão acentuada da coluna, torções intensas ou impactos elevados.

Por isso, o programa deve ser adaptado com orientação de profissionais capacitados.

A atividade física contribui para a prevenção e o tratamento, mas não substitui medicamentos quando eles são necessários.

Osteoporose tem cura?

A osteoporose é uma doença crônica que pode ser tratada e controlada.

O objetivo do tratamento é reduzir o risco de fraturas, preservar a mobilidade e, em determinadas situações, melhorar a densidade mineral óssea.

Dependendo do risco individual, o médico pode indicar medicamentos que diminuem a perda de tecido ósseo ou estimulam sua formação.

A prática de exercícios, a alimentação adequada e a prevenção de quedas continuam importantes mesmo quando o tratamento medicamentoso é necessário.

Perguntas frequentes sobre osteoporose

Osteoporose causa dor?

A perda de massa óssea geralmente não provoca dor. Quando aparece dor, principalmente nas costas, é importante investigar possíveis fraturas e outras condições.

É possível ter osteoporose aos 40 anos?

Sim. Embora seja menos frequente, alterações hormonais, algumas doenças e o uso de determinados medicamentos podem favorecer a perda óssea em pessoas mais jovens.

Caminhar é suficiente para prevenir a osteoporose?

Caminhar contribui para a saúde geral e ajuda a manter a mobilidade. Entretanto, o treinamento de força oferece estímulos complementares importantes para preservar a densidade óssea.

Quem tem osteopenia vai desenvolver osteoporose?

Não necessariamente. A evolução depende de fatores como idade, alterações hormonais, histórico clínico e hábitos de vida.

A osteoporose pode ser revertida com exercícios?

O exercício pode ajudar a preservar ou aumentar a densidade óssea, mas não garante a reversão da doença. Pessoas com maior risco de fraturas podem precisar de tratamento medicamentoso.

Qual médico cuida da osteoporose?

Endocrinologistas e reumatologistas estão entre os especialistas que avaliam e tratam a doença. Outros profissionais médicos também podem acompanhar a saúde óssea conforme o caso.

Prevenir fraturas é preservar a qualidade de vida

A osteoporose pode se desenvolver silenciosamente, mas existem oportunidades para identificar fatores de risco e proteger a saúde dos ossos.

A prática regular de exercícios, principalmente o treinamento de força, contribui para preservar a resistência óssea, melhorar o equilíbrio e fortalecer os músculos.

Ao mesmo tempo, uma alimentação adequada e a avaliação médica ajudam a identificar necessidades específicas e orientar a prevenção.

Cuidar dos ossos antes de uma fratura significa também proteger a mobilidade, a independência e a qualidade de vida ao longo dos anos.

Quer entender melhor como a atividade física contribui para sua saúde? Continue acompanhando os conteúdos do Quero Vida e Saúde e descubra orientações baseadas em evidências científicas para construir uma rotina mais saudável.

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