Câncer de mama: é preciso falar disso!

Entender sobre o câncer de mama e saber como se cuidar é o caminho para a prevenção.

Marcela Borges

Enfermeira, mestre em Saúde Pública

12 artigos


14 de outubro de 2020

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum entre as mulheres, representando em torno de 25% de todos os cânceres que afetam o sexo feminino, especialmente após os 50 anos.

Por outro lado, é relativamente raro em mulheres antes dos 35 anos e em homens. A boa notícia é que cerca de 30% dos casos podem ser evitados quando se pratica um estilo de vida saudável.

Entre os hábitos que estão associados ao menor risco de desenvolver esta doença são a prática de atividade física, alimentação saudável e a manutenção de um peso corporal adequado. A amamentação também é considerada um fator protetor.

Sobre o câncer de mama, ainda vale ressaltar que existem vários tipos e cada um com uma evolução diferente.

Mas o mais importante é que a maioria dos casos tem um bom prognóstico se descoberto em fase inicial, o que dá possibilidade de tratamentos menos agressivos e aumenta as chances de bons resultados reduzindo o risco de morte.

Câncer de mama: sinais e sintomas

Por isso, esteja alerta aos sinais de sintomas da doença para detectar qualquer alteração precocemente.

Saiba, que um dos sintomas mais comuns do câncer de mama é o aparecimento de nódulo (caroço), geralmente indolor, fixo, duro e com forma irregular.

Mas também existem outros sinais de câncer de mama como:

  • Dor
  • Retração da pele
  • Pele da mama avermelhada
  • Alterações no mamilo (inversão)
  • Descamação ou ulceração do mamilo
  • Edema da pele semelhante à casca de laranja
  • Saída espontânea de líquido apenas de um lado dos mamilos
  • Aparecimento de pequenos nódulos no pescoço ou embaixo da axila

Ah, aqui vai mais um alerta: esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, pois podem não ser câncer, ok!

O que causa câncer de mama?

Bom, não existe uma única causa! Diversos fatores estão relacionados ao câncer de mama.

Porém, o risco de desenvolver a doença aumenta com o envelhecimento. Quanto mais idade, maior o risco, principalmente a partir dos 50 anos.

E também existem fatores de risco como o histórico familiar de câncer de mama em mulheres antes dos 50 anos, de ovário e de mama em homens.

Fora isso, outros fatores de risco são:

  • Primeira menstruação antes dos 12 anos
  • Uso de contraceptivo por tempo prolongado
  • Não ter tido filhos ou não ter amamentado
  • Reposição hormonal pós menopausa por mais de 5 anos
  • Menopausa após 55 anos
  • Consumo de bebida alcoólica
  • Obesidade e excesso de peso
  • Não praticar exercícios (sedentarismo)
  • Exposição frequente à radiação ionizante (raio x, mamografia, tomografia)

Os exercícios físicos previnem o câncer

É possível prevenir esta doença?

Sim, é possível! Apesar de existirem fatores genéticos que estão relacionados ao surgimento da doença e que não podem ser modificados, ainda temos a chance de controlar outros fatores de risco e de estimular fatores protetores.

Veja como se proteger:

Tabela mostrando como prevenir o câncer de mama. As dicas são: manter o peso corporal saudável, ser fisicamente ativa, evitar bebidas alcoólicas e amamentar até o sexto mês de forma exclusiva e, se possível, até os 2 anos ou mais. Cerca de 28% dos casos de câncer de mama podem ser evitados por meio de hábitos de vida saudáveis.
Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Câncer de mama e a reposição hormonal

As mulheres sempre tem dúvidas quando à terapia de reposição hormonal. Por isso, vamos esclarecer este assunto.

Sim, a reposição hormonal aumenta o risco de câncer de mama, principalmente quando combinada de estrogênio e progesterona. Mas esse risco diminui gradualmente após a suspensão do tratamento.

Quando a reposição hormonal é indispensável, ela deve ser feita sob orientação médica e pelo tempo mínimo necessário. Por isso, converse com o seu médico caso tenha história de câncer de mama na família.

Eu me conheço!

Toda mulher conhece seu corpo melhor do que ninguém, e sabe o que está normal e o que não está.

Inclusive, a maior parte dos cânceres de mama são descobertos pelas próprias mulheres.

Por isso, olhe, palpe e sinta suas mamas no dia a dia para reconhecer suas variações naturais e identificar alterações suspeitas.

Conforme recomendação do Ministério da Saúde, se observe e faça palpação da mama sempre que se sentir confortável e em qualquer período do mês.

Esse momento pode ser em pé, deitada, na frente do espelho ou no chuveiro. O importante é se observar e estar atenta a qualquer alteração nas mamas. Caso sim, procure um médico!

O autoexame das mamas não substitui o exame clínico anual por um profissional médico ou enfermeiro e o rastreamento por exames.

Tabela roxa e rosa, com fita da campanha do outubro rosa, com orientações sobre como fazer o autoexame nas mamas.

Cuide-se: faça mamografia

A mamografia é uma radiografia das mamas, realizada por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, ele é capaz de identificar alterações suspeitas. Esse exame pode ajudar detectar o câncer antes mesmo dos sintomas.

Além de estarem atentas ao próprio corpo, mulheres de 50 a 69 anos devem fazer mamografia de rastreamento a cada dois anos.

Antes dessa idade, não é recomendado o exame, pois as mamas são mais firmes e com menos gordura, o que limita a identificação de alterações, gerando resultados incorretos.

Suas mamas são únicas como você!

Por isso, se observe e faça palpação no dia a dia, não deixe de visitar o médico anualmente e fazer exames de rotina. Você e muitas pessoas ficarão gratas e felizes com esta atitude.

Além disso, apoie esta causa! Contribua no apoio à pacientes e familiares. A multiplicação de informações corretas e o encorajamento pela busca dos serviços de saúde, podem salvar vidas!

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