Câncer de mama: é preciso falar disso!

Falar deste tema pode ser desconfortável, mas é somente a prevenção que faz diminuir os altos índices da doença.

Marcela Borges

Enfermeira, mestre em Saúde Pública

5 artigos


16 de outubro de 2019

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, representando em torno de 25% de todos os cânceres que afetam o sexo feminino.

Além disso, é o câncer que mais causa mortes em mulheres.

No Brasil, foram estimados 59.700 novos casos de câncer de mama para 2019, um risco de 56 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama também acomete homens, mas isso é raro, apenas 1% dos casos.

Por outro lado, é relativamente raro em mulheres antes dos 35 anos. Porém, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos.

Existem vários tipos de câncer de mama, alguns evoluem de forma rápida, outros, não. Mas a maioria dos casos tem bom prognóstico se descoberto em fase inicial da doença, dando a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com mais taxas de sucesso.

Câncer de mama: sinais e sintomas

Por isso, é muito importante que você esteja alerta aos sinais de sintomas da doença, detectar precocemente traz melhores resultados no tratamento e ajuda reduzir o risco de morte.

No caso, o sintoma mais comum do câncer de mama é o aparecimento de nódulo (caroço), geralmente indolor, fixo, duro e com forma irregular.

Mas também existem outros sinais de câncer de mama como:

  • Dor
  • Retração da pele
  • Pele da mama avermelhada
  • Alterações no mamilo (inversão)
  • Descamação ou ulceração do mamilo
  • Edema da pele semelhante à casca de laranja
  • Saída espontânea de líquido apenas de um lado dos mamilos
  • Aparecimento de pequenos nódulos no pescoço ou embaixo da axila

Ah, vale outro alerta: esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, porém, podem não ser câncer, ok?!

O que causa câncer de mama?

Bom, não existe uma única causa! Diversos fatores estão relacionados ao câncer de mama.

Porém, o risco de desenvolver a doença aumenta com o envelhecimento. Quanto mais idade, maior o risco, principalmente a partir dos 50 anos.

Também existem fatores de risco como o histórico familiar de câncer de mama em mulheres antes dos 50 anos, de ovário e de mama em homens.

Fora isso, outros fatores de risco são:

  • Primeira menstruação antes dos 12 anos
  • Uso de contraceptivo por tempo prolongado
  • Não ter tido filhos ou não ter amamentado
  • Reposição hormonal pós menopausa por mais de 5 anos
  • Menopausa após 55 anos
  • Consumo de bebida alcoólica
  • Obesidade e excesso de peso
  • Não praticar exercícios (sedentarismo)
  • Exposição frequente à radiação ionizante (raio x, mamografia, tomografia)

É possível prevenir esta doença?

Não totalmente! Isso por causa dos vários fatores que estão relacionados ao surgimento da doença e, pelo fato de alguns não poderem ser modificados, como por exemplo os fatores genéticos.

Mas é sim possível diminuir as chances de ter a doença, controlando os fatores de risco e estimulando fatores protetores.

Algumas recomendações básicas para prevenção:

Tabela mostrando como prevenir o câncer de mama. As dicas são: manter o peso corporal saudável, ser fisicamente ativa, evitar bebidas alcoólicas e amamentar até o sexto mês de forma exclusiva e, se possível, até os 2 anos ou mais. Cerca de 28% dos casos de câncer de mama podem ser evitados por meio de hábitos de vida saudáveis.
Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Estima-se que por meio da alimentação saudável, atividade física e controlando o peso, é possível reduzir 28% o risco de desenvolver câncer de mama.

Perigos da reposição hormonal

A terapia de reposição hormonal, principalmente combinada de estrogênio e progesterona, aumenta o risco de câncer de mama. Mas esse risco diminui gradualmente após sua suspensão.

Quando a reposição hormonal é indispensável, ela deve ser feita sob orientação médica e pelo tempo mínimo necessário.

Eu me conheço!

Toda mulher conhece seu corpo melhor do que ninguém, e sabe o que está normal e o que não está. A maior parte dos cânceres de mama é descoberto pelas próprias mulheres.

Por isso, olhe, palpe e sinta suas mamas no dia a dia para reconhecer suas variações naturais e identificar alterações suspeitas.

Conforme recomendação do Ministério da Saúde, se observe e faça palpação da mama sempre que se sentir confortável e em qualquer período do mês.

Esse momento pode ser em pé, deitada, em frente do espelho ou no chuveiro… o importante é se observar e estar atenta a qualquer alteração nas mamas. Caso sim, procure um médico!

O autoexame das mamas não substitui o exame clínico anual por um profissional médico ou enfermeiro e o rastreamento por exames.

Tabela roxa e rosa, com fita da campanha do outubro rosa, com orientações sobre como fazer o autoexame nas mamas.

Mamografia

A mamografia é uma radiografia das mamas, realizada por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, ele é capaz de identificar alterações suspeitas. Esse exame pode ajudar detectar o câncer antes mesmo dos sintomas.

Além de estarem atentas ao próprio corpo, mulheres de 50 a 69 anos devem fazer mamografia de rastreamento a cada dois anos.

Antes dessa idade, não é recomendado o exame, pois as mamas são mais firmes e com menos gordura, o que limita a identificação de alterações, gerando resultados incorretos.

Se ame, se cuide!

Suas mamas são únicas como você!

Por isso, se observe e faça palpação no dia a dia, não deixe de visitar o médico anualmente e fazer exames de rotina. Você e muitas pessoas ficarão gratas e felizes com essa atitude.

Além disso, apoie esta causa! Contribua no apoio à pacientes e familiares.

E compartilhe esse post!

A multiplicação de informações corretas e o encorajamento pela busca dos serviços de saúde, podem salvar vidas!

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